Como o menino, da história de Manoel de Barros, eu descobri que com o teatro, com as artes visuais e com a literatura eu poderei carregar água na peneira a vida toda.
Este blog serve para compartilhar experimentações e despropósitos do meu trabalho como atriz e professora de teatro.
Sejam bem-vindos!!!
A partir de algumas obras de Yves Klein nós trabalhamos com retroprojetor.Foi muito bacana eu nunca tinha feito este tipo de trabalho...adorei! Eles também curtiram muito.
Além do Amarelo e do Azul, Klein trabalhou com o vermelho e como ele, nós, na Escola Dança Educação transformamos nosso mundo em vermelho. Levei para as crianças vários objetos que eu tinha em casa e que não estava mais usando, tais como: telefone, Walkmen, CD portátil, máquina fotográfica, e pintamos todos de vermelho. Desta forma, criamos uma pequena instalação imaginando que a partir do vermelho inserido nestes objetos estaríamos transformamos aquilo que vemos, ouvimos e falamos em vermelho. As crianças adoraram interferir na "natureza" daqueles objetos dando a eles uma nova cara.
Aqui continuamos explorando o Azul. Na foto as crianças estão trabalhando utilizando a técnica de raspagem. Usamos caixas de leite, que foram pintadas com tinta guache e depois de seca utilizamos canetas sem carga para desenhar.
Experimentos com Azul. O "Azul" era a cor preferida de Klein, ele inclusive criou um azul com uma tonalidade especifica. Na Escola Dança Educação, além de criarmos performances com o azul na sala de teatro, expressamos nossas sensações na sala de artes, utilizando várias técnicas diferentes. Na foto abaixo trabalhamos com tinta de farinha e pigmento azul, utilizando nossas mãos como pincéis e a mesa como folha.
Esta foto mostra o trabalho que eu realizei na escola Dança Educação sobre o Artista plástico Yves Klein. Na foto estamos trabalhando com o "Amarelo" uma das cores escolhidas por Klein em seu trabalho.
Olá! Hoje quero dividir com vocês algumas imagens do trabalho de teatro que desenvolvo na Aquarius, uma escola para alunos portadores de necessidades especiais. Trabalho nesta escola desde 2004. É um trabalho muito especial, me sinto uma privilegiada por poder trabalhar com eles. Aprendo muito com este trabalho! A seguir, você vai ver imagens corporais que foram criadas a partir de algumas palavras.
Gisele Barcellos. Imagem a partir da palavra guerra.
Rodrigo Duarte. Imagem a partir da palavra amor.
Vagner Boa Ventura. imagem a partir da palavra paz.
Aqui, vou mostrar a sequência de um exercício que eu chamo de "marionete de fios" feito pela Fernanda e pelo Maurício. Esse exercício funciona da seguinte forma: um aluno deve ser o manipulador e o outro a marionete. O manipulador, deve puxar fios imaginários de diversas partes do corpo do aluno que esta no papel de marionete, tais como: braços, cotovelos, mãos, dedos, joelhos, pernas, pé, nariz, etc. Esse por sua vez, deve seguir aos estímulos propostos pelo seu manipulador. O exercício é feito em duplas, num primeiro momento várias turmas trabalham ao mesmo tempo, depois eles selecionam os melhores momentos do que experimentaram para mostrar aos colegas. Nesse exercício o Maurício é a marionete e a Fernanda esta manipulando seus fios (no caso,imaginários).
As imagens a seguir são de uma improvisação, baseada num exercício que o Carlos Möndinger propôs para a minha turma na faculdade. Pedi para que cada aluno entrasse em cena e abrisse uma carta que estava em cima de uma mesa. Eles teriam que demonstrar por meio de atitudes corporais do que se tratava a carta.
Luciane Prestes nasceu em Porto Alegre, no dia 17 de Abril de 1977. Quando pequena ganhava livros de seu irmão e com ele assistiu a muitos filmes no cinema e espetáculos de teatro. Quando via um espetáculo ficava curiosa para entender porque os atores andavam de uma maneira diferente da que andamos fora do palco. Depois de grande teve a oportunidade de experimentar na prática aquele jeito especial de andar e decidiu que era isso que queria fazer da vida. Iniciou sua formação de atriz em 1997, ano em que concluiu o Curso de Formação de Atores do TEPA - Teatro Escola de Porto Alegre. Em 2006 concluiu o curso de Graduação em Teatro-licenciatura da UERGS - Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. E, em 2011 o curso de especialização em Pedagogia da Arte, promovido pela faculdade de educação da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande de Sul.
Atualmente trabalha como professora de teatro desenvolvendo os projetos Atelier de Criação - uma pesquisa que busca a integração do teatro com as artes visuais e com a literatura infanto-juvenil - e o Atelier de Expressão Dramática - projeto que promove diversas oficinas de teatro para crianças. Tem um grande prazer em trabalhar com os pequenos! Ensinando e aprendendo com eles cada vez mais sobre arte e teatro! Além disso, Adora livros infantis, contar e ouvir histórias, paixão herdada dos tempos de criança, nos quais ouvia histórias contadas sempre com muito amor pelo seu irmão. Como atriz, desenvolve uma pesquisa sobre a máscara do bufão e projetos como contadora de histórias.
Tenho um livro sobre águas e meninos. Gostei mais de um menino que carregava água na peneira. A mãe disse que carregar água na peneira Era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos. A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água O mesmo que criar peixes no bolso. O menino era ligado em despropósitos. Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos. A mãe reparou que o menino Gostava mais do vazio do que do cheio. Falava que os vazios são maiores e até infinitos. Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito Porque gostava de carregar água na peneira Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira. No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo. O menino aprendeu a usar as palavras. Viu que podia fazer peraltagens com as palavras. E começou a fazer peraltagens. Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto no final da frase. Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela. O menino fazia prodígios. Até fez uma pedra dar flor! A mãe reparava o menino com ternura. A mãe falou: Meu filho você vai se poeta. Você vai carregar água na peneira a vida toda. Você vai encher os vazios com suas peraltagens E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.